Shamanismo

Alfred North Whitehead faz uma comparação bastante conhecida entre o método filosófico de aquisição de conhecimento e o ato de pilotar um avião. Da mesma forma, o conceito de “voo xamânico” representa diferentes estágios de processamento cognitivo durante a navegação por mundos perceptíveis e imperceptíveis. Este artigo se dedica à visão de mundo do povo Huni Kuin na Amazônia, ao método whiteheadiano de racionalização imaginativa e ao conceito de perspectivismo ameríndio. A pesquisa também explora o xamanismo como uma experiência geradora de conhecimento. Além disso, o “voo xamânico”, como uma técnica extática presente em diversos rituais ameríndios, será examinado como um método na descoberta e organização de entidades não humanas. Por fim, a epistemologia xamânica na Amazônia será discutida dentro de uma ontologia “multinaturalista”.

Os conceitos whiteheadianos de vida, alimentação, “espaço vazio” e “espaço ocupado” oferecem uma base teórica para desdobrar uma perspectiva ontogenética sobre o envelhecimento. Concentrando-se na chamada estratégia “Otimização Seletiva com Compensação” (OSC), este trabalho explorará esse conceito em relação a algumas evidências científicas nos campos da “epigenética” e nutrição molecular. Além disso, o papel da restrição calórica na saúde e longevidade será discutido como uma estratégia OSC, baseada na teoria metabólica do envelhecimento. A aplicação da estratégia OSC aos processos de envelhecimento, quando vinculada à filosofia do organismo de Whitehead, nos permite pensar na vida como um processo seletivo proporcionado pelo “espaço vazio”. Um continuum dentro do campo físico otimiza uma “sociedade viva”, que evolui em déficit social permanente, por meio de compensação pelo metabolismo nutricional.

Experiência de quase morte

A ayahuasca, uma bebida psicoativa usada por povos indígenas na Amazônia, é considerada um sacramento amazônico que possibilita a passagem entre o mundo material e espiritual. Multidões viajam à Amazônia em busca de rituais com ayahuasca, motivadas por ampliação da percepção, evolução pessoal, cura emocional e contato com a natureza sagrada. Pesquisas biomédicas investigam os potenciais terapêuticos da ayahuasca, enquanto a perspectiva ameríndia a associa mais ao enfrentamento da morte do que a doenças específicas, redefinindo as relações entre vida e morte. A cosmogonia indígena Huni Kuin apresenta o mito de Yuxibu, onde a morte se destaca por prestar um nobre serviço à vida.